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sexta-feira, 11 de agosto de 2017

O que teria realmente causado a mudança de local do show do U2 no Rio de Janeiro em 1998 pela Popmart Tour?


Faltando 17 dias para a primeira apresentação do U2 no Brasil pela turnê Popmart em janeiro de 1998, os organizadores Franco Bruni e Fran Tomasi, anunciaram que o show do grupo no Rio, marcado para 27 de Janeiro, havia sido transferido do Estádio do Maracanã para o Autódromo Municipal Nelson Piquet, em Jacarepaguá.

Segundo Bruni, o motivo da mudança foi técnico: o túnel de acesso à pista do Maracanã não dava passagem ao guindaste utilizado na montagem do palco. Era impossível rebaixar um dos túneis.
A indefinição de local estava ameaçando a realização do show do U2 no Rio de Janeiro. O diretor de produção da turnê PopMart, Jake Kennedy, soltou comunicado dizendo que a banda tocaria no Estádio do Maracanã no dia 27, contrariando as declarações do empresário carioca Franco Bruni.
"Nenhum engenheiro assume o risco do rebaixamento do túnel comigo. Agora, a produção do U2 que trabalhe direito. Se eles têm uma solução, porque não tinham há cinco meses, quando já sabiam dos problemas?", disse.
No comunicado enviado diretamente à imprensa brasileira, o empresário da banda, Paul McGuinness, afirmou: "Todos os problemas logísticos foram resolvidos".
Bruni, por sua vez, disse que o comunicado o pegou de surpresa e que era praticamente impossível, por problemas técnicos, que o show se realizasse no estádio.
"O comunicado não é real. Se alguma coisa for imposta, aí realmente tem muita coisa que vai pegar... Isso é um capricho da banda", afirmou Bruni.
No entanto, a Suderj (Superintendência de Desportos do Rio de Janeiro) não havia sido comunicada oficialmente de nada.
Segundo informações da produção brasileira, para que o guindaste entrasse no estádio era preciso de uma escavação de 85 metros de comprimento por 1 metro de profundidade.
Um complicador foi que as plantas do Estádio do Maracanã foram perdidas e não se sabia se havia tubulações ou encanamentos no local. Além dos riscos, a obra foi orçada em cerca de R$ 500 mil.
"Quando o Tom Armstrong veio vistoriar o Maracanã, ele me disse 'sem guindaste, não há show'. Agora eles estão mandando a solução de reduzir a tonelagem dos guindastes. Querem que desmontemos as máquinas do lado de fora para remontar lá dentro, mas não cogitaram essa hipótese antes", afirmou Bruni.
A assessoria de imprensa do U2 em Londres apenas confirmava o teor do comunicado.
A Suderj, que era administradora do estádio, quando foi comunicada, apresentou outra versão. O presidente da Suderj, Raul Raposo, disse que recebeu fax de Bruni pedindo desconto de R$ 40 mil para alugar o estádio.
No fax, segundo Raposo, Bruni justificava o pedido afirmando que as vendas estavam ruins e só 7% dos 120 mil ingressos tinham sido vendidos.
Segundo os próprios produtores, até aquela data do anúncio da troca, haviam sido vendidos 20 mil ingressos.
Os produtores já haviam pago à Suderj R$ 125 mil pela reserva do estádio. Segundo Raposo, a quantia seria abatida do total do aluguel do estádio (aproximadamente R$ 280 mil, que seriam pagos naquele mês). Com a transferência do show, os R$ 125 mil não foram devolvidos aos organizadores.
Na entrevista realizada, os produtores negaram qualquer problema com o aluguel e atribuíram a mudança ao guindaste.
Mais uma coisa estranha: Franco Bruni disse ter sido informado pelo presidente da Suderj de que o Maracanã não estaria disponível no dia 27, data prevista para o show.
Bruni disse ter sido informado por Raposo de que, entre os dias 21 e 31 de janeiro, seriam realizados no estádio sete jogos do Torneio Rio-São Paulo de futebol.
Raposo não quis falar com os jornalistas, mas informou, por meio de sua assessoria de imprensa, ter decidido ceder o estádio para o torneio após ter recebido um fax dos produtores da turnê, no dia 7 de janeiro, informando que o show no Maracanã estava cancelado.
O show foi transferido, mas um fax enviado pelos produtores da banda insistia na apresentação no estádio. "Com o cancelamento, o Maracanã foi reservado para os jogos do torneio Rio-São Paulo. A insistência dos produtores mostra que Franco Bruni está desesperado e o quanto ele é antiprofissional", disse Raposo.
Raposo disse que o problema do guindaste poderia ter sido resolvido com a desmontagem da peça e que não havia recebido dos produtores a planta do palco, o laudo de segurança dos bombeiros e o alvará.
No meio disso tudo, o Corpo de Bombeiros informou que ainda não havia recebido o pedido de expedição de laudo técnico de segurança e cálculo de público para a realização do show do U2 no Rio.
Segundo o Corpo de Bombeiros, o laudo deveria ser pedido num prazo entre 15 e 30 dias antes, para que houvesse tempo de avaliação.
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